sexta-feira, 26 de agosto de 2011

As "Minas" de ouro...





“Alguns anos vivi em Itabira. Principalmente nasci em Itabira. Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro...”, disse uma vez o Poeta Maior.
Itabira não é uma cidade sem importância. Se alguém assim disser é por falta de saber. Ela teve, e verá que ainda tem um papel fundamental na história do nosso país e, também, na corrida do ouro.
Minha cidade se chama Itabira e foi criada há três séculos. Inicialmente, não havera abundância de ouro por aqui, portanto, ela que era apenas um povoado pouco progrediu nesta fase inicial. Mais ou menos no século dezessete, um homem chamado Francisco Albernaz encontrou minas de ouro na cidade e articula-se que só em cem anos de atividade aurífera se produziu muitas toneladas desse metal.
Nesse mesmo período, acontecera no Brasil e suas províncias o fenômeno que ficou marcado pelo nome de “ciclo do ouro” ou “corrida do ouro”. A descoberta das primeiras jazidas de ouro em Minas Gerais provocou uma verdadeira euforia: gente de todo o tipo correu desesperadamente em sua busca e houve conflitos, guerras, desavenças, e mudanças profundas na vida da colônia. O ciclo do ouro, pelo Brasil afora, enriquecera somente alguns e esse metal que foi extraído já acabou e, se não acabou, há em baixa quantidade.  Nem por isso o Brasil ficou rico, todo o ouro arrancado dele também não ficou em Portugal, pois fora usado para pagar suas dívidas com a Inglaterra, fato que a beneficiou, aumentando a acumulação de riquezas, o que propiciou também a realização de sua Revolução Industrial. Alguns “ricaços”, que na verdade era uma minoria, foram os únicos a sair faturando nessa história toda. Percebeu-se então que o “sonho do ouro” estava fora da realidade de muita gente, pois se viu neste contexto, uma fortuna gigantesca em poder de poucas pessoas e uma desigualdade social acentuada, uma falta de igualdade tal que existe até hoje em nosso país. Assim vários já haviam experimentado a frieza do sistema capitalista nesta época, como se fosse uma faixa escrita : “ A realidade está, então aceite calado ”.
Pode ter sido até sorte, mas Itabira foi abençoada de não acontecer tal coisa parecida no período da extração. Com foi dito anteriormente, quando Albernaz encontrou algumas minas isso chamou a atenção de ingleses, que descobriram não só ouro, mas outra coisa. Com a abolição da escravatura, a produção do ouro caiu consideravelmente e isso culminou na exploração do minério de ferro. A nossa riqueza, diferentemente de outros lugares ou estados não foi e, também não é voltada em torno do ouro comum que todos conhecem. Nossa riqueza é o nosso “ouro negro”, ouro que pode se chamar de minério de ferro. Ele não criou guerras nem sonhos errantes, desigualdades ou glórias efêmeras. Nosso “ouro” construiu uma cidade independente que gera trabalho digno e bem remunerado as pessoas, trabalho tal que sacia as necessidades de seus cidadãos e até os dá o lazer. Não é à toa que é denominada e conhecida mundialmente como a “Cidade do Ferro”.
Concluindo de um jeito metafórico, na minha cidade, toda de ferro, as pessoas são de ouro. O nosso Drummond é de ouro. A igualdade e a riquza são “o ouro” e estam no ferro. Tudo, tudo é de ferro. Por isso digo até a morte: “Nosso ouro é precioso”. Pode falar de tudo e de qualquer coisa que quiser, mas nunca irei deixar dizer que Itabira é uma cidadezinha qualquer.

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