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sábado, 17 de março de 2012

Machado de Assis é uma Porcaria!!!


A acusação de que os jovens brasileiros têm preguiça de ler é injusta e infundada. O fenômeno Harry Potter testemunha a favor. O Brasil assistiu boquiaberto a miúdas crianças devorarem avidamente infinitas páginas de um pesado volume cujas mãozinhas mal conseguiam sustentar. Da mesma forma, é mentira que criança não gosta de tomar remédio. Ao contrário, é preciso vigiar o frasco de xarope, pois o líquido colorido, cheiroso e docinho lhes aguça a atenção. O segredo do best seller infantil foi justamente este: transformar um amaríssimo remédio em deliciosa guloseima.
Na verdade, os pequenos não-leitores são vítimas de ignorantes imposições que fazem dessa atividade não uma prazerosa fonte de crescimento e informação, mas um enfadonho e torturante castigo. Um mau exemplo disso é a teimosia de desastrados professores, que insistem em empurrar Machado de Assis goela abaixo de uma criança de 4ª série. O resultado é que ela toma ódio desse e de outros gênios – aliás, de qualquer literatura.
E deve-se, no caso, dar razão ao educando, pois Machado é insuportavelmente inadequado para a idade. Seu vocabulário e suas construções frasais são vetérrimos, herméticos e sua filosofia inalcançável para tão incipiente formação. Os incautos mestres querem que a criança tome a bicicleta pela primeira vez e já saia pedalando com destreza. É preciso que se coloquem aquelas rodinhas laterais até que o novo ciclista aprenda a se equilibrar. Assim, um dos melhores livros de toda a literatura brasileira é o Escaravelho do Diabo, se lido aos 10 anos de idade.
Linguagem rasteira e ilustrações ajustadas
Em descompasso com o aluno, a escola teima no ensino cronológico das correntes literárias e respectivas obras. Mais proveitoso seria começar pela literatura contemporânea, até que um dia ele se interessasse por texto cheirando a mofo – cantigas de amigo e maldizer.
Mas há coisa pior: despreparados professores usam a leitura como instrumento de coação. Alguns, para recobrarem a disciplina e a ordem da sala, ameaçam seus alunos com atividades de leitura. O resultado é previsível.
Em suma, a criança e o adolescente não lêem porque a escrita é intragável. A começar pelo vocabulário, embaraçoso, incompatível com sua deficitária formação escolar.
Os dicionários são labirintos de linguagem floreada-pós-PhD, tão exatas e esclarecedoras quanto os poemas de Cruz e Souza. O aluno de 5ª série que se aventura a buscar um conceito no pai-dos-burros sai dali convicto de que o livro é mais burro do que pai. O verbete procurado é definido por um emaranhado de palavras mais difíceis do que aquela que ele procurava. A experiência assemelha-se à saga de um analfabeto que vive o burocrático jogo de empurra numa dessas destroçadas repartições públicas. Dessa consulta, ele só sai doutor em pingue-pongue. As editoras ainda não entenderam o que é dicionário verdadeiramente escolar: linguagem rasteira e ilustrações ajustadas ao prin-ci-pi-an-te.
"De boa, véi"
Os pais dão sua contribuição: são o melhor exemplo do que não se deve fazer. Prostram-se mudamente diante da TV e dali só saem para dormir. Desconhecem que um dos melhores métodos de ensino e aprendizagem chama-se imitação. As crianças copiam o que vêem, ou melhor, o que não vêem. Se não flagram seus pais degustando um bom livro, não repetirão a experiência.
Mas a medalha de ouro cabe à imprensa. Autora dos mais ferozes ataques, ela insiste em tachar o estudante de alienado e de restringir-se a conteúdos acríticos, como horóscopo e futebol. Essa limitação é verdadeira e explicável: não existem publicações infanto-juvenis palatáveis sobre economia e política. Em que pesem as críticas da mídia, não se sabe de jornal que dialogue com a turma.
Os jornalistas, não obstante celebérrimos profissionais, desconhecem a regra mais elementar da comunicação: o texto deve se ajustar à língua de quem o recebe, pelo menos por algum tempo. Os fatos político-econômicos, principalmente, são apresentados tão-somente na perspectiva adulta. Esse desajuste não permite às vítimas do caos do ensino reconhecerem qualquer identidade com seu grupo social. Parece que tais acontecimentos afetarão exclusivamente o mundo adulto. A imprensa não se preocupa em traduzir o periódico para a língua escolar. Assim, para o adolescente, não há aplicação prática das informações em seu cotidiano. O estudante sequer entende o que está sendo noticiado. "De boa, véi, num rola não. Tipo assim... nem sei, fraga?"
Um jornal escolaaaar!
 Habituados a elogios de colegas e de respeitadíssimos intelectuais, os jornalistas ou mesmo escritores não têm consciência de que suas obras de arte são modorrentas leréias. O leitor é excluído porque não dispõe de instrumento para decifrar tão enigmática composição. É como se ela estivesse redigida em japonês arcaico de trás para frente.
O jornalismo sério não aceita se rebaixar ao nível do incipiente leitor, tampouco demonstra paciência com seu desenvolvimento. A imprensa precisa, no entanto, descer do pedestal e ir ao encontro daquele que pretende como leitor. É preciso conquistá-lo, seduzi-lo, "mascá um 171". É necessário formar seu gosto.
Mundo adulto, é preciso um jornal escolaaaar! Sei da tentativa bem intencionada de um jornal de grande circulação, no entanto o colorido e a meia dúzia de gírias não foram suficientes para agarrar os teens. É preciso recorrer a profissionais de outras áreas: pedagogos, psicólogos, educadores, bem como a jovens talentos jornalísticos inatos. Só assim será possível a resposta:
– Aí! De-mo-rô, meu.

sábado, 10 de dezembro de 2011

William Shakespeare e seus atos dramáticos



Eu gostei muito desse livro que faz parte de uma coleção da editora Companhia das Letras intitulada 'Mortos de Fama', a coleção conta também a história de outras ilustres personagens como Cleópatra, Da Vinci, Elvis Presley entre outros.

O livro conta de forma divertida a história de William Shakespeare (Will), o maior dramaturgo inglês, desde o seu nascimento. Will é o protagonista do livro, claro, mas o cenário inglês do século XVI e XVII também é retratado de uma forma como você nunca viu o autor inclusive brinca com a situação dos ingleses, que, assim como o resto da Europa, não tinham saneamento básico e viviam na maior sujeira, o que permitia um número maior de casos de morte por doenças transmitidas por roedores, Will sobreviveu... O livro contém um diário do Will, no qual é possível imaginar o que se passava pela cabeça dessa ilustre figura. Donkin mostra, inclusive, como foi a passagem de Will pela escola, seu amor por uma mulher bem mais velha (ela nem tinha 30, mas pra época já era titia né e ele nem tinha 20), o Teatro que ele roubou inteirinho com a ajuda dos amigos... Esse episódio é interessante, porque a gente tende a imaginar q ele roubou dinheiro do teatro ou peças valiosas, mas não, ele roubou a construção mesmo, desmontou um teatro e o reconstruiu do outro lado da margem do rio e deu o nome de O Globo... Quem diria não...  Além desses episódios engraçados, o autor passa pelas peças mais famosas de Will, fazendo um resumo e traduzindo para uma linguagem super atual o que o bordão da peça quer dizer. É muito divertido.

No final, após serem descritas todas as aventuras do nosso Will, tem como se fosse um apêndice com os possíveis Shakespeares, pois a identidade de William Shakespeare chegou a ser questionada, e há quem acredite q ele não escreveu nada, mas q apenas assinou as obras em nome de outro q o teria contratado para isso. Entre os possíveis culpados está a rainha Elizabeth. O autor enumera os pontos q dão margem para a autoria ser dessa outra pessoa e também mostra os pontos q negam tal autoria.
Para quem quer se divertir e conhecer um pouco mais desse brilhante dramaturgo este livro é uma excelente indicação, você vai saber como Will sobreviveu enquanto muitos morriam antes do 10 anos, como virou dramaturgo, como era a Inglaterra nesse período, como funcionava o teatro também (porque como mostra no filme Shakespeare apaixonada, mulher não podia atuar), a distribuição das cadeiras e um pouco de cada uma de suas peças. Na última página contém a bibliografia completa de Will.


terça-feira, 13 de setembro de 2011

O doce veneno da aranha ...

Raquel Pacheco é uma pseudo-intelectual e terapeuta-psicóloga pós-graduada na casa da Drica Moraes, especialista em depressão. Ela revolucionou os pilastres da literatura médica com seu livro O Doce Veneno do Escorpião, sua semi-autobiografia. Ficou famosa com a alcunha de mulher do povo Bruna Surfistinha enquanto se prostituía. Usando seus dotes de consolo com suas sessões de terapia...(hehe). Sua experiência foi progredindo até ela decidir passar para as suas discípulas com seu blog que tornou-se uma bíblia para as jovens prostitutas. Seu livro foi o mais vendido no Brasil. Quer dizer. O livro de "auto-ajuda" mais vendido no Brasil.

  " ...além de tudo, minha alma sempre será virgem ..."
                                                      
                                                                         Frase filosofada de Bruna Surfistinha